Bio

Nasci no dia 17 de Março de 1978. Setenta e oito não interessa muito. Serve mais para eu dizer que estou perto dos quarenta e assim, ficando velho, mas 17 de Março é a mesma data de aniversário do Nat King Cole e isso é importante porque ele é o meu ídolo. A Elis Regina nasceu no mesmo dia também, mas eu prefiro o Nat. Coisa de gosto, não levem pelo lado pessoal.

Quando eu era criança gostava muito de cinema americano e música. Quando eu digo criança, quero dizer, minhas primeiras memórias com 4 anos de idade. Meu primeiro disco ‘infantil’ foi um do Elvis Presley, Memórias de Natal, e os meus filmes favoritos eram os da série Rocky do Stallone, e também do Rei do Rock. Gosto de pensar na brincadeira que o ‘Garanhão Italiano’ consertou com bons exemplos o que os personagens do Elvis poderiam tem estragado em mim com todas as suas confusões. Minha mãe deixava eu faltar na escola para ver estes filmes, bem como os do Sinatra e acho que do Jerry Lewis com o Dean Martin também. Talvez ela nem deixasse eu faltar tanto assim, mas como eu vivia com bronquite, sempre estava em casa pra assistir, entre uma sessão de inalação ou outra. Acho que uma das coisas mais legais que aconteceram na minha infância foi a chegada de um vídeo cassete usado em casa que meu pai comprou do meu tio e tinha controle remoto com fio. O bacana era que eu podia ver os filmes em inglês, e como os pequenos gostam de repetir a mesma coisa mil vezes, logo eu estava aprendendo uma língua nova sem perceber.

Baldacci Biografia - Biografia
Na casa da vó com os discos de infância.

Minha mãe sempre colocava música em alto volume na vitrola para limpar a casa e para fazer qualquer coisa. Até hoje ela é assim. Na época, eram os vinis do Ray Charles, Frank Sinatra, Duke Ellington, Count Basie, e também Caetano Veloso, Emilio Santiago, Jessé, Alcione e Beth Carvalho. Meu pai tinha a sua seleção posta a prova aos finais de semana quando lavava o carro na garagem com Beatles, Bee Gees e Vicente Celestino, que o fazia lembrar do meu avô.

Quando tinha sete anos, uma família se mudou para a casa ao lado. Fiquei muito amigo do menino que era dois anos mais velho que eu e tinha pais muito bacanas e uma irmãzinha birrenta. Meus pais me mandavam pra casa dele para poderem fazer DR, eles discutiam muito. Lá havia um órgão e tive meu primeiro contato com um instrumento musical ao ver este meu amigo estudando as lições que ele recebia. Na verdade, estas são as memórias mais formadas, porque quando eu tinha menos que 4 anos, lembro de uma madrinha que tinha um piano lindo na sala e que eu gostava de ir no apartamento dela para vê-la tocar.

Enfim, passei a infância querendo ser o Elvis Presley e completei toda a coleção dos discos dele à venda no Brasil à época. Eu ia até em concursos de imitadores.

Quando tinha 11 anos meus pais já haviam se separado definitivamente e começava a minha fase Beatles, que logo mudou para um momento de Hard Rock, com Guns n’ Roses, Aerosmith e Led Zeppelin (afinal minha adolescência se deu nos anos 1990). Morando com o meu pai, pedi e ganhei uma guitarra dele.

Eu nunca tinha visto ninguém tocar guitarra ou violão pessoalmente e acertar foi muito difícil no começo. Não sabia nem como afinar, trocar as cordas, nada. Deixei ela parada. Decidi fazer aulas tempos depois por causa de um amigo de escola que já tocava super bem e que tinha um bom professor, o Carlos Quefrem, que me ensinou as primeiras coisas na guitarra.

Logo que comecei as aulas, meu gosto musical estava começando a mudar para o blues. Lembro-me de uma noite na sala de casa vendo televisão e passou um show do Stevie Ray Vaughan tocando num pequeno clube, o El Mocambo. Eu passei a querer ser o SRV. Meu começo na guitarra ficou muito marcado pelo blues e suas variações. Esta fase durou por toda a minha adolescência até os meus 19 anos. Toda a vez que tinha a oportunidade, ia aos bares de blues e jazz de São Paulo, mesmo sendo menor de idade. Meu pai não gostava da idéia, porque eu chegava em casa fedendo a cigarro até não poder mais.

Ricardo Baldacci Biografia
Arte para show de blues por volta de 2008

Eu tive até um projeto mal sucedido de banda de blues, com este meu amigo que tocava bem, um baixista dois anos mais novo que a gente, uma porção de vocalistas que nunca vingaram e um veterano da cena do blues do Brasil na bateria, que encontrei via anúncio num quadro de avisos de uma escola de música. Aliás, nosso primeiro ensaio foi num estúdio cheio de mofo que também descobrimos anunciado numa revista. Estávamos todos lá com cara de meninos perdidos esperando o baterista chegar há meia hora. Eis que de repente, surge uma figura envolta em roupas de sacos brancos, como um profeta, cabelos e barbas longas, ele pede desculpas, senta a bateria apenas de cueca e começa a tocar. Baita som! Uma pena não ter dado certo. Até hoje ele ainda tem a demo daquele dia guardada e nos tornamos amigos desde então. Vez ou outra ainda tocamos juntos quando ele fica sem guitarrista e bate a saudade em mim de tocar blues.

Estes discos do SRV tinham uma ou outra faixa mais jazzy que chamaram a minha atenção. Na época eu comprava revistas que ensinavam a tocar guitarra. E numa delas, havia uma entrevista com o Rubinho, antigo guitarrista do Jô Soares, dizendo que ele gostava do Wes Montgomery. Fui lá na loja e comprei uma coletânea dele. Confesso que na época, fiquei meio sem entender direito o som. Eu devia ter uns 16 anos. Também comprei um disco da Etta James cantando jazz. Acho que o vocal sempre fez mais sentido pra mim, apesar de tocar guitarra. O formato de canção sempre se fez presente na minha vida desde a infância.

Quando chegou a vez de escolher minha profissão ou carreira, a música passava longe de qualquer opção de teste vocacional. Em primeiro lugar, só havia Faculdade para música erudita e este não era o meu lance, depois o fantasma da instabilidade financeira da vida de músico é bem notório mesmo para quem tem pouca idade. Meu pai estava falindo na época, e a profissão da moda, que se dizia ganhar dinheiro, era a de publicitário. Eu escrevia razoavelmente, gostava de arte e pensei que pudesse ser uma alternativa. Meu pai acabou falindo mesmo e eu não consegui passar no vestibular da Fuvest por pouco. Acabei entrando na ESPM.

Tivemos que nos mudar, perdemos nossa casa e praticamente tudo. Das poucas coisas que mantivemos estavam as roupas, a minha guitarra, o amplificador e um violão velho que havia ganho do meu avô. Não havia espaço para tocar guitarra na minha vida, mas o violão eu carregava pra faculdade, que eu fazia acumulando mensalidades atrasadas. Com dezoito anos, no terceiro semestre, consegui um estágio em publicidade, na verdade, era um trabalho de office boy interno dentro do Grupo Pão de Açúcar para o departamento de marketing, que fiz por um ano e meio. Toda a pouca grana que ganhava era para tentar manter a mim e o meu pai, que estava em depressão profunda (ele ficaria doente por quase 10 anos). Passei a trabalhar como assistente de marketing, mas a situação de grana seguia piorando. Pelo menos deu para pegar uma bolsa de estudos com o Pão de Açúcar e com a ESPM.

Nesta época, passava muito tempo no metrô e ônibus e um dia me dei de presente (não lembro sob quais condições) um CD duplo do Nat King Cole Trio que estava em promoção, com o guitarrista Oscar Moore e o contrabaixista Johnny Miller. Ouvia esta coletânea no trânsito quase todos os dias. Aquele disco era capaz de me tirar da situação que eu vivia e me levar para uma era maravilhosa, jamais experimentada. Ali começava inconscientemente uma nova paixão pelo jazz.

Tempos depois, passei na mesma loja de disco e comprei o P.S Mr. Cole do John Pizzarelli Trio, o segundo tributo deles ao King Cole Trio que tinha muitas músicas do mesmo CD do Nat que eu tanto gostava. Era como se eu revivesse aquela mesma sensação bacana, desta vez com uma outra banda. De alguma forma, o jeito de tocar guitarra do John Pizzarelli ficaria muito presente na minha cabeça assim como a voz do Nat King Cole.

Ainda na faculdade, iniciei como hobby um duo tocando guitarra com uma amiga cantora. Tentando ensinar a melodia das canções de jazz, acabei descobrindo que poderia cantar. Depois de anos muito difíceis no trabalho, pouca grana, muitas dividas, vários lugares morando de favor, perdi meu emprego que odiava.

Fiquei dois anos desempregado, vivendo de vender as sobras das coisas que eu tinha em casa na Cracolândia e de doações de amigos da Faculdade que acabava de me formar.

Arrumei um emprego em uma consultoria de marketing e o agarrei com unhas e dentes. Em 2004 fiquei sabendo que o John Pizzarelli, viria para o Brasil e faria um show no Bourbon Street. Eu soube através de um documentário que, assim como eu, aos vinte e poucos, ele se interessou pelo Nat King Cole Trio e que isso determinou a carreira dele. Assisti a apresentação no Bourbon Street e fiquei maravilhado. O John e seu irmão Martin, sempre atendem a todos que os procuram após o término. Escrevi numa carta, algo que falava sobre as nossas influencias e de como eu o admirava. John autografou a minha guitarra com um incentivo: “Practice Makes Perfect”.

Ricardo Baldacci Biografia cantor e guitarrista
Martin Pizzarelli, John Pizzarelli, Ricardo Baldacci e Ray Kennedy no Bourbon Street em 2004

No ano seguinte, vendo alguns grupos no Orkut, escrevi a um baixista perguntando se sabia de alguém que gostaria de montar uma banda com quem estivesse começando no jazz. Ele disse para aparecer num show dele com cópias das partituras no meu tom para dar uma canja. Então, eu fugi no meio da festa de final de ano da empresa e fui para o bar. Deu certo, o dono do estabelecimento gostou e assim montamos o quarteto Four of Jazz. Seis meses depois, com este grupo e às vezes com algumas variações na formação, iniciamos uma série de apresentações mensais. Na primeira, destas apresentações, o baixista, Paulo Rapoport, registrou nossa perfomance num pequeno gravador.

Naquele ano, fui novamente ao show do John Pizzarelli. Esperei até o final e fui falar com ele. Entreguei um CD com as gravações da minha primeira gig com o Four of Jazz. Ele disse que iria ouvir, e pediu que eu voltasse no dia seguinte. Voltei. Ele fez uma série de comentários de incentivos. Disse que eu cantava bem, foi muito gentil. Dessa vez, escreveu na minha guitarra: “Keep Swingin’”.

De 2005 a 2007, me apresentei com diferentes formações no All of Jazz e no bar do gaitista Omar Izar. Nesta época, segui o conselho do John e me mantive swingando. A música, porém, era um hobby a que eu pouco me dedicava. Trabalhava horas a fio numa consultoria de marketing e dava aulas na pós-graduação da UNICAMP.

Em 2007 estava tremendamente desiludido, pois não acreditava em mim como músico. Deixei tudo de lado e concentrei todas as minhas energias na consultoria de marketing e nas aulas, até perder o emprego em 2009.

Depois de ficar mandando currículos em vão por 1 ano e ter desistido do meu mestrado em Psicologia Experimental, decidi voltar a estudar guitarra, sem compromisso, apenas para não enlouquecer, depois de tantas tentativas frustradas. Por outro lado, apesar de não ter nenhuma ambição inicial de viver de música, pensei que desta vez, queria fazer o melhor possível e não apenas algo como um simples lazer.

Une-me a um professor da escola como contrabaixista acústico, o Ricardo Ramos, e um amigo que conheci no bar do Omar Izar, o multiinstrumentista Roberto Bomilcar, o São José, que havia sido o primeiro pianista da Orquestra Jazz Sinfônica de São Paulo e tinha muita experiência, além de ser um sujeito incrível. Assim foi moldado meu grupo, respeitando a mesma formação dos trios do Nat King Cole e John Pizzarelli. De agosto de 2010 ao início de 2011 o Ricardo Baldacci Trio tocou em vários lugares, quase sempre sem cachê. Não conseguimos vender um show descente por praticamente um ano.

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Roberto Bomílcar, Ricardo Baldacci e Ricardo Ramos em material promocional para o CD Demo Songs to Swing and Love 2011

No finalzinho de 2010 gravei um CD Demo no meu computador com apenas 2 canais, chamado Songs to Swing and Love. Foi o primeiro motor para tentar vender o nosso trabalho. Logo depois desta gravação fiz 3 meses de aula de guitarra com o professor Adriano de Carvalho e pela primeira vez, o jazz efetivamente teve sentido na guitarra para mim. Na mesma época, entendi finalmente, estudando por conta própria, a forma como os Pizzarellis faziam acompanhamento rítmico e harmônico. Minha maneira de tocar jazz na guitarra começava a se definir.

Fizemos alguns poucos shows nos meados de 2011. No meio deste ano chamamos o pianista Hercules Gomes para fazer parte do trio. Preparamos um repertório bem elaborado, com bons arranjos, inclusive com algumas transcrições do Nat King Cole Trio. Fiz uma permuta com um cliente que me procurou para tocar músicas do Phil Collins com arranjos de jazz em seu casamento. Ele tinha uma produtora de vídeo. Eu tocaria em seu casamento e ele gravaria alguns videos para mim. Eu usaria este material para divulgação do meu trabalho e gravar um DVD demo. Assim, fomos para o estúdio e, em duas horas, gravamos 10 músicas. O Martin Pizzarelli me indicou que eu procurasse o seu engenheiro de som para a mixagem. Mandamos as faixas para Nova Iorque e então eu passei a possuir videos de qualidade.

No segundo semestre de 2011, fechamos um contrato de 2 anos no Terraço Itália, e fomos uma das 5 bandas de língua estrangeira dentro de centenas de inscritos a vencer o edital central do SESI.

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Entrada do Herrang Dance Camp, interior de Estocolmo/Suécia – 2012

O ano de 2012, começou com muito trabalho, tocando em vários SESIs, SESCs, eventos de empresas, festas particulares e bailes. Aliás, vencemos um edital de viagens do MinC que me levaria a Suécia, para o maior e mais tradicional Festival de Lindy Hop, o estilo de dança para o Swing Jazz. Fomos então, em Julho, para o 30o. Herrang Dance Camp, numa pequena cidadezinha de 422 habitantes perto da marina do condado de Estocolmo, que abriga no verão milhares de pessoas para este acontecimento. Nesta ocasião, tocamos com a Carling Family e fomos os vencedores da batalha de bandas, Swing Battle. Eu tive a oportunidade também de acompanhar a cantora lituana, residente na França, Lina Stalyte, ao lado do saxofonista argentino Juan Klapenbach e também acompanhei o grupo de harmonia vocal The Hebbe Sisters.

Em Setembro, viajamos a convite dos antigos produtores do Free Jazz Festival, para o XV Festival Internacional de Jazz do Paraguai, com um super line up, para fazer um show de Tributo ao Nat King Cole Trio. No Teatro Municipal de Assuncion, fomos aplaudidos de pé por centenas de pessoas, num dos dias mais emocionantes da minha vida.

Em 2013, viajei em Janeiro para a Argentina, para tocar em mais um festival internacional de Lindy Hop e em Março, gravei o primeiro disco oficial, Tain’t what you do (is the way that you do it). Este título faz menção a uma musica do final dos anos 1930, que é um hino do sapateado, e que diz ser mais importante o jeito de se fazer as coisas. No álbum, há 3 composições minhas além de uma série de clássicos. O projeto contou com a preciosa colaboração de Bill Moss, um dos mais respeitados produtores e engenheiros de som na linguagem do jazz, do lendário Nola Studios de Nova Iorque. O trabalho também teve a participação das Hebbe Sister que eu havia conhecido na viagem para a Suécia. O CD foi apadrinhado pela família Pizzarelli. O próprio Martin Pizzarelli escreveu as notas deste disco, que incluía um comentário do Bucky Pizzarelli, pai dele e do John, dizendo: He is good! Este material foi ao ar na Rádio Eldorado (JazzMasters e A Cara do Jazz) e USP FM (Jazz Caravan)em 2013. Além disso, o CD recebeu menção e críticas positivas em uma série de veículos, entre eles os jornais O Globo (Rio de Janeiro/RJ), A Tarde (Salvador/BA) e Hoje em Dia (Belo Horizonte/MG).

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Poster Promocional do show do Made in New York – 2014

Aqueles videos que fiz em 2012 chamaram a atenção de uns produtores de um festival de jazz em NY. Assim, em Maio de 2014, sob direção artística de Lenny White, fui uma das atrações do Made In New York Jazz Festival (EUA), no Tribecca Arts Center (NYC) lotado, ao lado do próprio Lenny White e de Randy Brecker. Fui apresentado pela imprensa local americana (The American Chamber News) como “um fabuloso talento do mundo do jazz” e “um dos mais brilhantes astros na cena”, estas palavras nunca sairiam da minha boca, com certeza. Apesar de tudo isso, acho que o mais legal foi ter conhecido pessoalmente o Bucky Pizzarelli. O Martin me levou a sua casa para conhecê-lo, para batermos papo e para eu aprender alguma coisa depois de filmá-lo tocando. Também aproveitei a ocasião para conhecer o Bill Moss pessoalmente, num almoço.

Em janeiro de 2015, escrevi ao Bill perguntando se haveria a chance de tornar realidade aquele projeto de que havíamos falado de gravar com Martin e Bucky Pizzarelli . A resposta veio em duas semanas, com as datas de gravação já programadas. Fiz uma breve seleção de músicas, escrevi alguns arranjos e fui para Nova Iorque 15 dias depois. Gravado em duas sessões no Samurai Hotel Studios no Queens, NY, meu novo disco, Brothers in Swing, que estou lançando, acontece em clima de espontaneidade e camaradagem e tem o “swing” (balanço) como marca registrada. É a minha homenagem a família Pizzarelli, que tanto fez por mim. A arte do disco, feita pela minha esposa, a designer, Emilene Miossi, também remete ao clima descontraído daquelas tardes de tempo frio mas de muito calor humano, com fotos dos encontros na casa do Bucky Pizzarelli no interior de Nova Jersey e das gravações.

Viver de jazz não é uma tarefa fácil no Brasil e em nenhum lugar do mundo. Mas independente do que o futuro me reservar, acho que vivi muitos dos meus sonhos.

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