Swing Jazz, o que é?

swing jazz
o cantor/pianista Nat King Cole, um dos expoentes do Swing Jazz.

 

O Swing Jazz ou Swing

É um estilo de música popular nascido originalmente nos EUA, no final dos anos 1920 e com auge no período de meados de 1930 à metade da década de 1940. É uma evolução natural das outras linguagens jazzísticas anteriores como o New Orleans e o Dixie, mas tem suas características próprias. Se por um lado o repertório do Swing compartilhava ainda das canções do Cancioneiro Popular Norte Americano, uma série de mudanças marcavam o então novo estilo: o ensamble da banda, condução rítmica, arranjos, solos, a preocupação com a apreciação do ouvinte e a dança. Estas transformações foram tão importantes, que serviram de base para a formação do Pop nos anos 1950 e consequente de boa parte da música comercial consumida no mundo nas próximas décadas.

Aliado ao Rádio, o Swing foi a maior forma de entretenimento no período dos anos 1930 e 1940, na Depressão e Segunda Grande Guerra e formou uma cultura marcada por uma série de eventos: levou os jovens aos salões de bailes, canções para os lares com os transmissões de ondas curtas, alívio para os soldados e seus parentes, também foi a trilha sonora dos primeiros musicais no cinema e um dos mais fortes fatores de integração social entre brancos e negros.

O consentimento de tocar para a audiência, foi o fator que orientou as principais particularidades para a o que se tornaria o Swing Jazz. Os arranjos passaram a ser mais organizados, escritos, elaborados, com caminhos de vozes definidas e espaços para improvisos demarcados. Tudo isso facilitava a audição, acreditava-se. O Swing oficializou em arranjos os principais clichês utilizados no Jazz até o período.

Sobre o ensamble, a composição da banda e dos grupos, houve uma mudança considerável. A formação do tipo “Big Band”, como as orquestras de Count Basie e Duke Ellington, ditou a regra. Grupos de 12 a 16 músicos, com piano, contrabaixo, guitarra, bateria, trompetes, saxes, trombones e cantores formavam conjuntos perfeitos para que os arranjadores pudessem utilizar diferentes linhas melódicas sobre uma base rítmica pulsante. Apesar desta formação ser a preferida, muitos combos menores valiam-se do recurso de múltiplas vozes sobre um sólido alicerce rítmico para swingar, como o Sexteto de Benny Goodman, o trio de Nat King Cole e a dupla Slim and Slam. O Swing sempre se adaptava em menores formações na falta de espaço ou escassez de dinheiro para pagamento dos músicos em tempos de Guerra e greve sindical.

A forma de expressar o ritmo também mudou no Swing. Antes com forte acento nos tempos dois e quatro, herança do Dixie e do New Orleans, logo balançou em todos os quatro tempos do Jazz, insinuando variações, por isso o termo Swing. As mudanças nessas variações ou a marcação constante do pulso em outro caso, foram os fatores que levaram ao surgimento do Pop Americano como Frank Sinatra, ainda bastante preso ao Swing, ou o Rock n’Roll de Elvis Presley. Os solos ganharam um espaço definido e os solistas recebem destaque dentro do arranjo apesar de terem menos compassos para improvisação. Esta também foi a época que os cantores passaram a ter um grande valor como expositores de melodias, excursionando com as bandas.

O Swing foi conhecido como o período do Jazz mais notadamente acessível ao público. Depois disso, o estilo Bebop fez o movimento de levar aos improvisadores novamente, o destaque, que na Era do Swing, pertenceu à canção.

No aspecto social, o Swing representou uma fuga da população de um período imerso em crise e depressão. A música e os diversos estilos de dança existentes no gueto dos EUA, ganharam o mundo pelo Radio e o Cinema. Os dançarinos do Harlem de Charleston, Break away e sapateado inventaram algo que seria chamado de Lindy Hop e que logo depois ganharia a alcunha de Jitterbug pela juventude branca. O Swing e o Lindy Hop foram símbolos da resistência contra o Nazismo desde o Harlem até Berlim.

Paralelamente ao Swing, um outro estilo de Jazz também era tocado na Europa, o Gipsy. Ainda com acento nos tempos 2 e 4 em sua maioria, o estilo cigano, privilegiava os instrumentos de corda como violões, violinos e contrabaixo em pequenas formações. O repertório era também formado por canções norte-americanas, temas manouches e composições de um dos expoentes do gênero, Django Reinhardt.

A contribuição do Swing para as Artes e a música mundial foi incalculável. De Carmen Miranda a Lady Gaga, de Frank Sinatra a Michael Buble, de Nat King Cole a John Pizzarelli, Slim and Slam a Elvis Presley, Dinah Washington a Amy Winehouse, Fats Waller a Beatles, e mesmo de Rod Stewart a Roberto Carlos, hoje percebe-se que todos beberam da fonte e foram influenciados pelo estilo. Praticamente todo o repertório baseado em canções nas décadas seguintes, valeu-se da estética do Swing para o regimento de seu arranjos e dinâmicas, além do próprio raciocínio do show business e às questões relacionadas a formação dos espetáculos em si.

por Ricardo Baldacci (2015)

Saiba mais sobre o Swing Jazz neste texto em inglês da Wikipedia

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